quarta-feira, 11 de julho de 2012

A NOVA BABA - Revista Crescer

Link da matéria completa que saiu na revista e site http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI267297-10496-3,00-A NOVA BABA.html


Período de mudanças

Os especialistas acreditam que o preconceito com os empregados domésticos, ainda muito forte no Brasil, também atrapalha as mudanças e a criação de novos modelos de serviço. “Estamos em um período de transição. Este ano, o Brasil assinou um tratado da Organização Internacional do Trabalho que pediu a regulamentação do empregado doméstico e já existem leis que tentam igualar a categoria a outras, com Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) obrigatório e regulação da jornada de trabalho. Mas isso pode levar muitos anos ainda”, afirma Eduardo Cabral, da Primore Valor Humano e do Portal Agência de Babás.

Uma das propostas em análise para que haja essa regulamentação é o Projeto de Lei 1385/2007, do deputado federal Felipe Bornier (PSH-RJ), que cria a categoria profissional de babás, estipulando idade mínima de 18 anos, diploma de ensino fundamental e curso de qualificação com noções de prevenção de acidentes, primeiros socorros, nutrição, higienização e psicologia infantil como pré-requisitos para atuar como babá profissional. Em contrapartida, elas passariam a ter direito a salário-família, adicional noturno e horas extras. O projeto já passou pela Comissão de Trabalho e Emprego e aguarda parecer na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Se passar, vai para aprovação no Senado, o que não tem previsão para ocorrer.

Mais abrangente é a proposta apresentada em setembro pelo ministro do Trabalho Carlos Lupi para a presidente Dilma Rousseff. Batizado de “Simples para Domésticas”, ele reduz as alíquotas de contribuição previdenciária pagas tanto por patrões e empregados e aumenta a parcela que o empregador pode descontar do Imposto de Renda depois, tornando o registro em carteira mais atrativo para os dois lados.

Por enquanto, alguns novos modelos já estão surgindo por aqui. São pessoas que encaram a profissão como um estágio para a futura carreira ou que atuam como diaristas, para necessidades eventuais dos pais que não querem ou precisam de uma funcionária fixa.

Foi depois de buscar um perfil de babá e não encontrar nada no mercado que a psicóloga Taluana Adjuto abriu neste ano a Elite Care, uma agência que oferece tanto pessoas para serviços eventuais como soluções além dos cuidados básicos de babás. “O que oferecemos são monitoras, não babás propriamente ditas. Elas estão aptas a estimular o desenvolvimento intelectual das crianças em cada fase. Elas são, em sua maioria, estudantes, principalmente de pedagogia, mas também de enfermagem e de outros cursos, e eu treino cada uma de acordo com o que as famílias me pedem. Os valores são os mesmos do mercado tradicional e variam entre R$ 800 e R$ 1.500 mensais”, conta Taluana, mãe de Ayron, 4 anos, e Leonna, 1.

O modelo de serviço ela tirou de dentro da própria casa: sua babá, Fernanda Balbino, foi contratada no ano passado quando tinha apenas 17 anos, mas muita experiência trabalhando com crianças em uma escola de educação infantil e cuidando dos seis sobrinhos. “Entrei na faculdade de pedagogia e comecei a comprar massinha, material para pintura, aplicar o que eu aprendia nas aulas. Quero no futuro dar aula para crianças e eles me ajudam muito”, conta Fernanda, que só dorme na casa de Taluana quando necessário e tem outras colegas na faculdade interessadas em fazer o mesmo que ela. A ideia começou em Santos, onde Taluana mora, mas já se expandiu para São Paulo, por conta da alta procura das mulheres paulistanas. A advogada Marian Perroni, mãe de Miguel, 1 ano e 4 meses, é uma delas. “Pago o mesmo que pagaria por uma babá tradicional e no meio período que o meu filho fica em casa sei que ele está sendo bem cuidado e estimulado.”

Os pais, porém, precisam cuidar para não transformar essa ânsia por dar o melhor aos filhos em um exagero de estímulos. “Não acho que seja prejudicial uma babá formada em pedagogia. Porém, acredito que esse não deva ser o requisito principal. O ambiente de educação formal já é oferecido na escola, a casa é o lugar onde elas precisam receber os cuidados e o carinho dos pais e, no caso, da babá, mas também devem se sentir seguras a explorar e aprender brincando à sua maneira. Estimular é fundamental, porém esse exagero pode levar a uma geração de adultos ansiosos, sem iniciativa e sem criatividade”, diz a neuropsicóloga Priscila Previato, da Unifesp.

Taluana acredita que esse modelo, mais parecido com o que vemos no exterior, em que as babás não encaram o trabalho como algo permanente, pode ser um caminho para o futuro da profissão no Brasil. Os especialistas ouvidos pela CRESCER apostam também no aumento dos serviços eventuais e na restrição do modelo atual, da babá que dorme em casa e acompanha a família em tudo. Como vai ficar, ainda não dá para saber. Mas essas mudanças e a discussão sobre o trabalho da babá pode ser uma boa oportunidade para você avaliar em quais momentos e de que maneira você – e seu filho – precisa da ajuda dela.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O seu comentário será avaliado pela Eilte Care e em breve estará disponivel no blog.Obrigada.